sábado, 14 de abril de 2012

Consumo consome-te

Sonho americano, geração Coca Cola. Burgueses sem religião. Prada, Europa, grife inglesa. Somos todos brancos, arianos, loiros dos olhos azuis. Cultura do Fast-Food. Shopping Center, Big Mac. Nem nossa língua tem agora sua identidade. Vamos para casa em nosso importado, cercados nos muros de nossos condomínios, isolados daquela “gente
ordinária e suja, que parece sempre a mesma”. Somos movidos por nossa imagem, travestida ao mundo como cidadã, mas que, em sua mais alta probabilidade, esconde nossa natureza porca, narcisista e egoísta. Somos a própria base da pirâmide de nosso sistema sujo e corrupto, o qual ainda, como, novamente, bons cidadãos, pretendemos odiar e gritar por socorro em textículos como esse. Adoramos nossa vida urbanizada, nosso passeio no shopping, nosso berço consumista. Quem de fato liga para a criança mórbida na África, “para a gentalha que anda pelos andaimes e que vai pra casa em suas vielas de estreiteza e podridão?”. Até nosso país é julgado na força de nosso consumo. Consumo consome-te.

    Em uma era de abismos monumentais neste nosso amado sistema, faz-se, talvez, possível o farejo de certas mudanças. Ênfase no talvez, obrigatória aqui. O auge de segundos atrás é a explosão da globalização, do neoliberalismo e de todos aqueles artifícios babacas, perdoe-me pelo coloquialismo, de uma sociologia tão corrupta quanto o próprio governo que ela tanto critica. Voltemos a citar que, em sua novamente mais alta probabilidade, continuamos apaixonados pelo sonho americano da vida acomodada nos abraços dos shoppings Center. Em uma autoimolação pública, quase que sensacionalista, dizemos querer mudar um mundo quase morto em nosso desespero consumista. Pseudo-marxistas, pseudo-anarquistas, pseudo-capitalistas. Pseudo-intelectuais discutindo, apenas, sobre um mundo fora de seus eixos. Discutindo apenas enquanto o mundo nos engole. A ilusão de que não participam, ou de que não participamos deste aglomerado de escravos mentais, de produtos humanos. Somos, se nesta discussão ficamos, apenas mais um artifício babaca. Nós definimos nossa cultura, nós o povo, em discurso quase otimista. Nós somos a única dependência, a única barreira entre a liberdade de fato, e a escravidão moral. Nossa ignorância de imperador, nossa ganância de poder, nossa necessidade de superioridade, cria, ao final, este universo cheio de lacunas que, obrigatoriamente, nos separa. Separa o rico acomodado do pobre ignorante, o político corrupto do seu próprio povo. Separa a necessidade da disponibilidade. E depois une nós todos, em uma coisa só, em um desejo apenas.
  
   Ditados por uma ganância, por um mundo industrial, nos encolhemos. Nós o povo, nós, a base desta pirâmide sádica e suja, nos encurvamos e mergulhamos no escarro de uma sociedade supostamente idealizada. Nós, vítimas de um sistema que faz os homens serem torturados, um sistema que aprisiona pessoas inocentes, que rotula nossas personalidades, nossa liberdade. Um sistema que nos trata como máquinas, como escravos de uma pseudo-democracia, de um mundo dito decente. Nós os próprios criadores de nossa própria desgraça, nos acomodamos agora nesta mesma ironia. Engasguemos então, no vômito de nossas indústrias, no cogitado ministério da propagada, já que agora deixamos de ser a própria definição de homem. Somos os próprios produtos que vendemos, enquanto assumimos outras facetas, outras etiquetas. Liberdade nunca é gratuita. É a política do ecstasy. Consumo, novamente, consome-te.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Redação - "Jeitinho Brasileiro"

Batismo da ignorância

  A cultura brasileira é horrenda, não sucederemos à redundância do embuste. A expressão “jeitinho brasileiro” é apenas um apetrecho eufemístico para mascarar a gravidade da situação. Asfixiamo-nos na hipocrisia e na corrupção, abolimos qualquer reflexão ética e moral (ou, talvez, apenas travestimos esta por conveniência), sempre procuramos o caminho mais fácil da história. Mas, no fundo, temos plena consciência disto, apenas ignoramos o mesmo fato por, novamente, simples conveniência, ocasião oportuna. Não passamos de hipócritas, na mais alta probabilidade. Mas a questão de fato é, por honra ao clichê, o porquê de tudo isto.        



   Os mais estudiosos (talvez otimistas) traçam um perfil lógico sobre a história. Apresentam como início da trama o nosso afastamento da pré-história, nosso período colonial, citando mais especificamente o patriarcalismo da época, com ênfase em sua ideologia e o que a mesma implantaria na formação cultural brasileira. Estes “otimistas” não estão errados de forma alguma, afinal é neste período que viríamos a formar tanto nossa “população” quanto nossa cultura. Mas, novamente em honra ao clichê, por que este comportamento ignorante tende a prevalecer na sociedade atual?

   Obviamente, por oportunidade, por conveniência. E aqui, após tanto pleonasmo lógico, alcançamos a ironia da questão. A atitude sobrevive porque continuamos hipócritas, continuamos vigaristas, imorais, continuamos a viver a constante contrariedade da ética; parecemos desconhecer o significado de honra. E a solução é ainda mais óbvia, para o espanto do caro leitor: somos os únicos responsáveis reais pela sustentação desta mesma cultura, logo somos os únicos que devem abandonar este imoral comportamento para solucionar o respectivo problema. Parece simples, não? Mas infelizmente não é. Tente imaginar um mundo longe do estereótipo do político e do policial corrupto; do assaltante e do assassino; do vigarista e de todos os restantes artifícios da sociedade. Parece lindo não? E é, de fato. Mas é também mais uma provável utopia. Estamos viciados em todo o circo da vida fácil, instantânea, gananciosa e, enquanto não abandonarmos este nosso ópio, continuaremos hipócritas, desonrados. Bem vindo à realidade.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Redação: EUA e o Oriente Médio

Estado de Syriana - Ilustre declive da hipócrita Democracia

"No fundo, não importa que nome leve - Irã, Arábia Saudita, Iraque -
Alguém mais poderoso tratará de manipulá-lo. Se tem ouro negro
debaixo do solo, é Syriana."


   Quando o assunto embasa-se entre os EUA e a guerra contra o terror (entenda, por terror, Islã, uma vez considerado o caráter seletivo norte-americano) qualquer opinião é válida. Religião e cultura. O grande choque de civilizações. A guerra entre o Ocidente e o Oriente. Talvez seja redundante cair no niilismo, mas, pessoalmente, apontaria uma única e outra causa. Essa necessidade abusiva de controle, este vício de poder, dependência de superioridade existente para com ambos os Estados.
         
    De tal afirmação, porém, não nega-se a existência de um choque cultural. É óbvia a existência de um certo conflito, mas, no fundo, tal existência é apenas possível devido à exasperação exagerada e abusiva das políticas de ambos os Estados. A população, que no caso representaria a responsabilidade de tal conflito cultural, é quem direciona este (por força de expressão) ódio pré-concebido por ideais semi-nacionalistas. Por maior ideia conspirativa, diria que todo este conflito serve apenas como máscara para com seus planos neo-imperialistas, possivelmente existentes em ambos os lados (outrora talvez único aos EUA, ou, no fundo, realmente existente na mais profunda ambição de qualquer Estado).       

    Na frente republicana torna-se comum o exercício de textos, análises em prol à uma necessidade absurda de implantação democrática em determinados países islâmicos, criando uma espécie de continuidade da Guerra Fria e, por pleonástica hipocrisia, uma política muito semelhante ao traumático imperialismo. É incrível a semelhança destes textos com Gobineau e Júlio Verne em seus tempos de colonialismo conturbado. Assimilar parte desta motivação [para estas invasões] à valores de importância ao bem maior não passa de um marketing pessoal do século XXI travestido de bom republicano e idealista dos direitos humanos.  
    Na outra frente torna-se difícil criar especulações devido à reservada cultura de seus remetentes. Sabe-se que, isolando conspirações, a tragédia de 11/09 ocorreu devido à política nada diplomática de Bush. No que diz respeito à atual força de Irã, alguns atrevem-se à citar que o maior erro dos EUA foi perder o “poder” do Iraque. Hussein, ainda que ditatorial, servia como contrapeso para o Irã. Invadir o Iraque escapou do bom senso da presença de Hussein. Talvez este seja o principal motivo do atual conflito. Esta guerra de poderes descontrolada e fora dos planos norte-americanos. A cultura extremista serve apenas como peso adicional à já existente revolta contra o símbolo norte-americano. Neste possível deslize norte-americano, os EUA acabaram presos ao Iraque e responsáveis por generalizar um sério conflito um tanto descontrolado. Mas claro que esta grande responsabilidade foi muito bem maquiada para brincar com os olhos do atento espectador.
    Por fim, separamos um conflito bem distante da cultura ou da religião, porém suportado por tais valores. A irresponsável gerência norte-americana, possivelmente encaixada em um "deliberado plano de conquista por pura força bruta, calcado em mentiras e destinado a assegurar o controle total da região[...]", eclodiu em um conflito muito maior e fora de controle que possivelmente condenou não somente a futura supremacia norte-americana, mas também qualquer burocrática diplomacia internacional entre Ocidente e Oriente, ameaçando até mesmo a causa à um próximo conflito global. Tudo isto pelo ilustre Estado de Syriana delimitado ao que realmente importa para o lado negro da democracia. Bem vindo ao Petrolífero mundo do dinheiro, o amargo Estado de Syriana.


sábado, 26 de março de 2011

Estudos: Zbrush, SSS & Vray

Na falta de um bom tutorial para o SSS do mental ray, resolvi encarar o render demorado do vray.
Antes dos problemas começarem a aparecer, cheguei em alguns resultados:



Foi a última vez que meu computador funcionou normalmente.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Entrega do Prêmio Dardos







Significado do prêmio:

«O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... Que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras. “Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web»

Quem receber o prêmio deve seguir os seguintes regras:

1 - Exibir a imagem do Prêmio no blog;
2 - Revelar o link do blog que atribuiu o Prêmio;
3 - Indicar outros (sem número limite) para premiar.

Agradeço muito ao Felipe e a Laura pelo suporte e pelas ambas indicações. Como não tenho muito o que dizer, simplesmente paro pelo clichê do obrigado. É muito bom receber suporte e apreciamento.
Apesar de apreciar o recibo, anuncio não ser um favorito de premiações. Premiações estimulam a competição, o individualismo. Por mínimas que sejam, competições deixaram de ser climaticamente esportivas e viraram um circo regido por fundamentalismos capitalistas. Espero que aqui, no universo paralelo de blogueiros, o mesmo não ocorra. Apesar de estar feliz pelo prêmio, o mais simples comentário recebido, a apreciação e até mesmo a discussão são o que motivam, realmente, qualquer blogueiro. Não é o prêmio em si que me alegra, e sim ser reconhecido por vocês, possíveis leitores.

Deixando as formalidades de lado(ou não), sigo com as regras do prêmio e, logo, indico outros blogs que acompanho:

Outras Perspectivas (Pedro Henrique);
"Muito se fala, pouco se escreve" (Carol);
Caixa de Pandora (Felipe);
Humo Negro sem Censura (Laura).

Abraço à todos e obrigado pelo suporte.
Até logo,
Lucas.